Review Dynaudio: Special Forty vs Contour 20

Tenho tido a sorte de conviver em simultaneo com duas referencias em colunas monitoras para 2017. A Dynaudio tem uma enorme tradição em produzir excelentes colunas de duas vias em suporte, afinal de contas as Special Forty recebem esse nome devido ao quadragésimo aniversário da Dynaudio. 40 anos a fazer colunas. Todas as colunas Dynaudio são criadas e fabricadas na Dinamarca, desde o mais pequeno parafuso até ao verniz, segundo eles. Todas as novas gerações recebem aperfeiçoamentos constantes.

Contour 20

As Dynaudio Contour 20 trazem o Esotar2, que é o tweeter topo de gama presente nas colunas das gamas Confidence e Evidence, bem como um altifalante com 18cm para médios e graves novo, desenhado especificamente para a gama Contour. Este altifalante consegue realizar uma excursão 70% superior, é mais leve e tem uma bobine maior do que a versão anterior. Ambos drivers são montados numa placa de alumínio maciço com 14mm que reduz vibrações e dá alicerces estáveis aos altifalantes. A caixa com 215 x 440 x 360mm é grande para coluna monitora, as suas paredes laterais são curvas e no seu interior apresentam uma superficie difusora. O crossover de segunda ordem beneficia da larga experiencia da Dynaudio, especialmente em 2 vias, e traz inclusivamente condensadores Mundorf.

Todas estas características fazem das Contour 20 umas colunas muito refinadas e detalhadas, com um palco sonoro e reproduzação de graves enorme para o seu tamanho. São umas colunas puristas para audiófilos exigentes que tenham bons amplificadores. Este é o ‘catch’ – é preciso amplificá-las bem para usufruir daquilo que elas têm para dar. Na maior parte dos casos exige-se um amplificador mais caro do que elas próprias (PVP: 4500€). O GamuT Di150 puxa bem por elas! Por outro lado, se procura umas colunas até 10 000€, e já tem amplificador para elas, não deixe de experimentar as Contour 20 pois serão capazes de ombrear com colunas bem mais caras.

Special Forty

As Dynaudio Special Forty comemoram os 40 anos de atividade da Dynaudio criando colunas de edição limitada com alguns componentes também dedicados e provavelmente limitados a elas. A sua concepção é bastante detalhada numa secção dedicada no site da Dynaudio. Em resumo, o tweeter é exclusivo para a série Special forty, o woofer de 17cm é originado de tecnologia das gamas mais altas, o crossover de primeira ordem  – um clássico da Dynaudio. Estão disponíveis em apenas dois acabamentos: Red Birch High Gloss e Grey Birch High Gloss. Não tive a oportunidade de ver o acabamento em vermelho mas o cinzento brilhante é discutivelmente muito bonito!

As Special Forty, com um PVP de 3000€, seriam aparentemente demasiadamente próximas em valor das Contour 20 – o suficiente para concorrerem com elas. Na verdade tratam-se de dois produtos bem distintos. Exibem traços que evidenciam ser do mesmo fabricante mas com uma abordagem/objetivos diferentes. As Special Forty são muito menos exigentes na amplificação. São colunas todo o terreno, para tocar todos os estilos de música: do hip-hop e eletrónica até ao jazz e clássica, passando por death metal – no problem. São capazes de encher salas bem grandes para o seu tamanho, embora potenciem-se mais as suas qualidades em salas de 15-30m2, tal como a maior parte das colunas monitoras. Quem prefere ou precisa de mais músculo pode casá-las com um Simaudio Moon 250i ou um Naim XS2. Quem privilegia o refinamento pode optar por um Hegel H90 ou um Roksan K3 (nenhum destes amplificadores peca necessariamente no outro parametro mas digamos que se orienta mais num dos sentidos). Ou seja, a diferença de preço entre as Special Forty e as Contour 20 é na realidade enorme, dada a exigencia na amplificação que uma e outra necessita.

Neste video que publicámos no final de 2017 tentamos mostrar a incrível capacidade de precisão e dinamica das Special Forty, acolitadas pelo Moon 250i e ajudadas pelo REL S/3 (só a partir dos ~ 38Hz…). Fonte Bluesound Node 2 a tocar Wilkinson – Afterglow (Dyro Remix) a enviar sinal digital coaxial para o Esoteric K-07x.

Dynaudio Special Forty – Boas Festas 2017 from Vilasound on Vimeo.

 

As Special Forty, na minha opinião, estão entre os lançamentos mais interessantes no últimos tempos. São colunas capazes de agradar exigentes melómanos, DJs bass-heads, rockeiros (e outros). São relativamente fáceis de amplificar embora precisem de um amplificador com alguma força se forem colocadas em espaços demasiados grandes (sim, o Moon 250i ou o Naim XS2 têm imensa força – os watts são um fraco indicador). São colunas que nos pôem um sorriso na cara e nos relembram como ouvir música é suposto ser divertido e não uma análise clínica.

As Contour 20 são ferramentas para ouvir música corretamente, as Special Forty são um objeto de desejo. Esperemos que esta edição limitada não seja muito limitada.

 

Gustavo Rosa

Boas Festas 2017 – Férias 24Dez-3Jan

A VilaSound, Som & Imagem deseja a todos umas boas festas e um feliz ano novo. Aproveitamos para informar que estaremos encerrados nos dias 24 de Dezembro até ao dia 3 de Janeiro para descanso.

Para 2018 prometemos mais novidades, mais oferta, melhores condições para demonstração. Temos grandes planos e grande visão.

 

Para final de ano deixo aqui uma amostra de um dos produtos mais impressionantes de 2017: as Dynaudio Special Forty. A captação de audio foi feita com baixo ganho para evitar o cliping e aceitar o máximo de dinamica. Peguem nos melhores ausculadores que tiverem e carreguem no volume!

Dynaudio Special Forty – Boas Festas 2017 from Vilasound on Vimeo.

 

Equipamento:

Bluesound Node 2 a ler Tidal usando o DAC externo Metrum Amethyst e com amplificação Simaudio Moon 250i. Com uma ajudinha do REL S3 para tocar esta faixa de Wilkinson – Afterglow (Dyro Remix).

 

Novidade: NAD T758 V3

A NAD sempre teve amplificadores AV musculados, com potencia ‘real’ e não mascarada. Ao mesmo tempo, tendo como base uma filosofia audiófila e purista, os amplificadores para cinema mantêm o circuito de pré amplificação totalmente analógico e de boa qualidade. Isto permite usar amplificadores AV NAD como amplificadores stereo e até ouvir giradiscos com prazer.

Onde eles acertavam na amplificação falhavam nas funções. Com menus datados, sem sistema de calibração e no geral pobre em funções. Na maior parte das vezes, depois de comprarmos um receiver japones cheio de funções, acabamos por usar apenas a básica e verdadeira função de um receiver AV: amplificar e controlar o volume. Ainda assim, exige-se um mínimo.

A NAD finalmente respondeu às nossas preces e lançou o T758 V3 com Dirac live (um dos sistemas de calibração  mais avançados do mundo), Dolby Atmos e HDMI 4K e como um módulo BluOS incluído. Para quem não conhece, o BLuOS é um módulo de streaming que pertence à empresa irmã da NAD, a BlueSound, a referencia mundial em streaming audio em alta resolução. Fiel à sua filosofia desde o início, o T758 V3 conta ainda com o MDC (Modular Design Construction) que permite trocar as placas digitais e manter o receiver atualizado durante muitos anos.

 

Especificações:

Dolby Atmos e DTS HD Master Audio
Video 4K, 3 HDMI in / 1 HDMI out
BluOS
Pré in RCA 7.1 e Pré out RCA 7.1
Potencia em modo stereo: 2 x 100W (0.05% THD, 20-20kHz)
Potencia em modo surround: 7 x 60W (0.05% THD, 20-20kHz)
Peso: 15.4kg
PVP: 1299€

 

REVIEW: Monitor Audio Silver 200 e comparativo amplificadores

Monitor Audio Silver 200 com Dayens Menuetto atrás

Vários clientes têm “reclamado” pela ausencia de reviews das novas Monitor Audio Silver 6G (e outros produtos). A verdade é que escrever sobre estes equipamentos com algum grau de confiança requer algum tempo para experimentação que por vezes não existe. Ao mesmo tempo têm aparecido na loja muitas (boas) novas soluções que precisam de ser testadas e respetivas combinações, que por vezes parecem não ter fim. Adiante.

Queria começar por abordar um assunto que é pouco falado mas não é propriamente segredo. O som que ouvimos na loja ou no audioshow é normalmente diferente do som que ouvimos em casa. O primeiro tem um volume elevado, procura chamar a atenção e causar o máximo impacto num curto espaço de tempo. Muitas vezes, por uma questão de gosto ou por respeito aos vizinhos e familiares ouvimos música a volume médio ou baixo (por vezes muito baixo). Apesar da diferença de volume queremos obviamente replicar a emoção e expressão musical full range em nossas casas. É aqui que precisamos de ter algum cuidado na escolha do equipamento. Alguns sistemas perdem corpo, detalhe e/ou dinamica quando usados a baixos volumes.

Ao lançar as Silver 200 e as 300 a Monitor Audio criou nitidamente duas abordagens distintas. As Silver 300 são colunas ambiciosas capazes de ‘pirotecnia’, música impactante, envolvente, altamente dinamica. Ideais para impressionar num audioshow ou encher uma sala grande (50m2 sem problema), e para isso precisam de amplificador a condizer. As Silver 200 são colunas bem mais pequenas e contidas no seu entusiasmo. São colunas impactantes, dinamicas e com grave extenso para o seu tamanho. São colunas desenhadas para tocar em salas mais pequenas do que as antecessorias Silver S6, mais limitadas na amplitude dinamica e extensão do grave. Onde perderam em pirotecnia ganharam em musicalidade e facilidade de amplificar. São colunas muito rápidas e quando digo rápidas, não quero dizer nervosas nem atrapalhadas. Permitem-nos ouvir os silencios entre as notas dos instrumentos e inspecionar assim a arte dos músicos. As Silver 200 são colunas para ouvir música, e não para ouvir sons ou frequencias. Permitem-nos ligar o sistema e simplesmente ouvir música sem estar a pensar no sistema. E são especialmente interessantes para ouvir música a volumes médios e baixos mantendo toda a integralidade do conteúdo, algo que a maior parte das colunas falha.

Amplificadores em teste com as Silver 200: Synthesis Roma 96DC+ (not shown), Dayens Menuetto, Creek Evolution 50A, Emotiva PT-100 + A-700, Hegel H80 e Roksan K3

Posto isto, que amplificador escolher para as Silver 200? Um amplificador que potencie as suas qualidades a volumes baixos? Um amplificador que consiga extrair delas a ‘pirotecnia’, sacrificando ou não a qualidade a volume baixo? Testei vários amplificadores usando como fonte, maior parte do tempo, um Bluesound Node 2 a ler TIDAL (alguns MQAs) e a alimentar por cabo coaxial digital um fantástico DAC Metrum Amethyst.

 

Synthesis Roma 96DC+

O ROMA 96DC+ é dos melhores amplificadores que conheço a tocar a baixo volume. No entanto, ele dá-se melhor com colunas faceis, crossovers descomplicados e de preferencia duas vias apenas. É quase impensável juntá-lo a umas Silver S6 ou a umas Silver 300 mas com as Silver 200 funciona lindamente. Basta uns segundo para perceber que estamos perante uma combinação especial. Musicalmente encantador e fácil de gostar, o conjunto mantém o corpo e quantidade de grave mesmo a volumes baixos. Com 25W em classe A, não está desenhado para a tal pirotecnia mas enquanto ele é limitado nesse aspeto consegue brilhar incrivelmente bem na utilização doméstica mais habitual. A versão “+” inclue também entradas digitais.

 

Dayens Menuetto

Eis que entra em cena um novo concorrente na forma do pequeno amplificador sérvio Dayens. A marca construiu um amplificador de 2x50W a 8ohm com componentes de alta qualidade (ex.: condensadores Mundorf) que são raros mesmo em equipamentos de milhares de euros. A sua construção ainda tem um toque de artesanal e é muito pobre em termos de funções. Ele apoia-se claramente na máxima de less is more, com apenas 4 entradas RCA, um botão de volume e um seletor de entrada. Por 990€, este amplificador é um achado! Os seus 50W são bem suficientes para as Silver 200 e consegue um equilíbrio muito bom entre os vários volumes.

 

Creek Evolution 50A

Desde há muito tempo um dos favoritos aqui na VilaSound, o Creek perde ligeiramente em termos de corpo e detalhe relativamente ao Dayens. O Creek é no entanto ligeiramente mais potente e a sua construção é bastante mais amadurecida em termos de aspeto e apresenta também entradas XLR, saídas pré-out e entrada AV direct, controlos de tonalidade, painel OLED e possibilidade de acrescentar módulos Tuner, DAC ou Phono.

 

Emotiva PT-100 + A-700

Temos pela primeira vez a oportunidade de experimentar algumas peças da Emotiva, uma marca que começou pequena mas parece que veio para ficar. O pré amplificador PT-100 devia ser combinado com o amplificador A-300 mas este não estava disponível e resolvi testar o A-700 em stereo. Este conjunto fica, na minha opinião atrás dos restantes mas toca também muito bem e constitui uma opção altamente competente, especialmente se considerarmos que o pré amplificador oferece rádio FM, pré-phono MM e MC, entradas digitais ótica, coaxial e USB. O amplificador de potencia permite amplificar 7 canais, com capacidade de entregar 80W em simultaneo.

 

Hegel H80

O Hegel H80 tem sido uma das principais referencias acima dos 1500€. Com as Silver 200 ele não desilude e consegue potenciar a musicalidade das colunas com a sua fluidez e com o som ‘líquido’ que o caracteriza. A sua amplificação atinge um nível mais ‘completo’ no sentido em que consegue tocar bem a qualquer volume. É um bom salto qualitativo relativamente ao Creek e aproximando-se imenso do Roksan K3, com a vantagem adicional de ter entradas digitais ótica, coaxial e USB.

 

Roksan K3

O Roksan K3 é quanto a mim a solução mais completa em termos de amplificação. Sendo excelente a transformar as dóceis Silver 200 em colunas de maior porte com grande vivacidade e dinamica mas ao mesmo tempo capaz de transferir a emoção da música mesmo a níveis baixos de volume. Em termos de solução global não tem entradas digitais, necessitando assim de uma fonte à altura. O K3 é um amplificador completamente diferente da sua versão anterior, o K2, sendo mais competente a todos os níveis (corpo, dinamica, transparencia, controlo). Sabendo que a Roksan foi recentemente adqurida pela Monitor Audio (antes do lançamento do K3 e do Blak) esta feliz combinação não é uma completa surpresa.

 

Conclusão

Estes amplificadores foram escolhidos porque são alguns dos que considero estarem na vanguarda do que se melhor constroi dentro destes preços. Todos eles já “venceram” outros comparativos que vou testando e todos conseguem por as Silver 200 a tocar lindamente. Ao colocar uns contra os outros percebemos as vantagens e desvantagens de cada um deles e que normalmente a melhor qualidade trás um preço a condizer. A escolha do amplificador certo irá sempre depender da utilização que se dá, gosto pessoal e tipo de fonte de sinal usada. O ideal mesmo é ouvir, como sempre.

 

Tabela de preços

Metrum Amethyst: 1295€
Synthesis Roma 96DC+: 1790€
Dayens Menuetto: 990€
Creek Evolution 50A: 1050€
Emotiva PT-A100: 449€
Emotiva A-700: 899€
Hegel H80: 1700€
Roksan K3: 1700€

 

Gustavo Rosa

 

Novidade: Monitor Audio Silver 6G

Acabadas de chegar e já estão em rodagem (prometem!).

São muito mais bonitas ao vivo do que eu pensava, olhando para as fotografias no site da Monitor Audio. Espero que estas fotos mostrem melhor a estética das colunas.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Em relação à geração antiga, os altifalantes continuam a ser aparafusados com um único longo parafuso a partir da traseira. Os altifalantes passam a ser cinzentos em vez do tradicional branco. O tweeter tem agora uma proteção diferente da antiga. Mais uma vez, este componente é na minha opinião mais bonito ao vivo do que nas fotos.

A coisa mais criticada nas colunas Monitor Audio foi sempre a sua base. Desta vez penso que resolveram, finalmente, o problema. São pequenas peças de aço que se aparafusam com dois parafusos à base da coluna. Os pés podem ser ajustados em altura, podem receber spikes afiados ou ficar apenas com uma base em borracha dura que não risca o chão e permite ainda assim conferir estabilidade e rigidez ao conjunto.

As Silver 300 são colunas de 3 vias com um altifalante de 4″ que partilha o ‘waveguide’ do tweeter.

As Silver 200 são colunas de 2 vias e meia que, comparando com as antecessoras SS6, reduziram consideravalemente em tamanho.

Ambas estão muito bem conseguidas esteticamente, com um perfil mais esguio do que antigamente e com uma qualidade de construção irrepreensível.

Após a rodagem iremos ver como tocam com o Roksan K3. A Roksan foi adquirida pela Monitor Audio e o K3 é supostamente um amplificador “feito para casar”. Para já, as Monitor Audio Silver têm forte concorrencia das Tannoy XT6F e das Audiovector QR3 ainda em demonstração.

 

Especificações Silver 200

Sensibilidade: 89db (1w/1m)
Frequencia de resposta: 38Hz-35kHz
Impedancia nominal: 8ohm
Impedancia mínima: 4.7ohm @ 182Hz
Potencia recomendada: 60-150W
Dimensões: 885 x 165 x 240 mm
Peso: 14.6Kg/un
PVP: 1500€

 

Especificações Silver 300

Sensibilidade: 90db (1w/1m)
Frequencia de resposta: 32Hz-35kHz
Impedancia nominal: 8ohm
Impedancia mínima: 3.5ohm @ 146Hz
Potencia recomendada: 60-150W
Dimensões: 1000 x 180 x 300 mm
Peso: 20Kg/un
PVP: 1900€

 

Em demonstração: Tannoy Revolution XT6F

Há certas coisas que passam a chamar-se o nome da marca quando ela é uma referencia, como é o caso do Kispo, Bostik e Tannoy. Ainda hoje, no Reino Unido, muita gente se refere a um par de colunas como umas ‘Tannoys’.. No entanto, com tanta oferta de equipamentos que existe hoje em dia é fácil esquecermo-nos de este fabricante que (ainda é) de referencia e que já soma 90 anos de existencia!

A característica mais marcante das Tannoy é a tecnologia “dual-concentric” dos seus altifalantes. Ela permite produzir agudos, médios e médio-grave a partir de um unico ponto, simplificando um processo que habitualmente consume muito tempo e otimização por parte dos outros fabricantes. Quando temos unidades de reprodução de diferentes frequencias alinhados verticalmente precisamos de fazer com que os diferentes sons se integrem num único som completo e harmonioso. Isso é possível apenas em certos locais de audição, num pequeno sweet spot, e em muitos casos nunca chega a ser satisfatório.

A Tannoy simplifica todo esse processo conseguindo um palco muito preciso e musical. Não nos distraindo com sons mas com música.

As Revolution XT6F são colunas de 3 vias que, embora não sejam muito exigentes com a amplificação, progridem imenso à medida que a melhoramos. Aqui usámos o novo Roksan K3 (review para breve) com excelentes resultados. São colunas para salas médias (palpite: 20-35m2), com boa extensão de grave. O pórtico situa-se na base da caixa e permite maior flexibilidade de colocação na sala. A música flui, encorpada e dinamica. Considerando o tamanho da sua caixa, a coluna surpreende no tamanho do som e especialmente na sua articulação e coerencia. Sendo colunas refinadas conseguem “aguentar pancada” desde que a amplificação acompanhe.

A Tannoy é uma marca com pouca presença na VilaSound (não podemos ter tudo), mas neste momento temos 3 pares em demonstração: as Mercury 7.4, as Revolution Signature DC6T (retoma) e as Revolution XT6F. As Mercury são colunas de “combate” para concorrer com o mercado massificado. São colunas interessantes mas não têm a identidade Tannoy (na minha opinião). A partir das Revolution as coisas tornam-se bem mais interessantes quando temos acesso ao dual concentric.

Revolution XT6F, Revolution Signature DC6T e Mercury 7.4

Especificações (XT6F):

Sensibilidade: 90dB (1W/1m)
Frequencia de resposta (-6dB): 38Hz-32KHz
Potencia máxima admissível: 300W
Dimensões (cm): 100x27x32
Peso: 16kg/un
PVP: 1349€

 

Review: Auscultadores Meze 99 Classics

Para os mais desatentos, a Meze Audio é uma empresa recente que dedicada à construção de auscultadores que têm vindo a ganhar prémios atrás de prémios (A’ Desing Competition Award, Golden Ear Highly Recomended, InnerFideliy’s Wall of Fame, HiFi Choice Group Test Winner, HiFi+ Awards, …a lista continua). Foi com grande antecipação que recebi os Meze 99 Classics e depois de os testar percebi que excediam as minhas expectativas. Não costumo criar muita antecipação por um produto apenas porque é bem visto pelas revistas da especialidade. Neste caso, as reviews e opinião dos utilizadores e vendedores em geral eram demasiadas e demasiado boas para não ficar otimista em relação à sua performance. Ainda assim, e mesmo saídos da caixa sem qualquer rodagem, fiquei muito surpreendido com a qualidade do som.

Meze 99 Classis em Walnut Gold

Meze 99 NEO

Self-adjusting

Em primeiro lugar, são muito bem construídos. As esponjas revestidas em pele acentam muito confortavelmente à volta da orelha sem lhes tocar. O ajuste à cabeça é feito de forma automática (self-adjusting – ver imagem) e muito eficiente permitindo um conforto elevado e uma insonorização muito boa. Esteticamente, os auscultadores são muito bonitos, talvez bonitos demais para certas cabeças e utilizações… A Meze pensou nisso e lançou os Meze 99 Neo, com menos bling.

 

A Construção

Os Meze 99 têm como base as ‘conchas’ em madeira de nogueira maciça maquinada em CNC. Nelas são instalados ímans de neodímio a controlar um diafragma de mylar. Todos os componentes são isolados sem plásticos nem colas. Isso significa que o equipamento é feito para durar, fácil de substituir peças e com um aspeto premium. A madeira utilizada é de nogueira verdadeira e não MDF com folha de madeira. Dois aros metálicos unem as conchas de madeira e no meio uma banda auto ajustável. Um design tão simples e eficaz só se consegue com muito trabalho e estudo.

O Som

Tenho habitualmente preferencia por auscultadores abertos. Os melhores auscultadores que já ouvi (os Stax, Pioneer SE-Master1, Grado GS1000) são abertos. Os auscultadores fechados têm tendencia para soarem ‘presos’ e ‘boxy’ como se o som estivesse a ser produzido dentro de uma caixa fechada – e está. E normalmente, para não soarem assim precisam de ser mais caros (e competir à mesma com os melhores auscultadores abertos). Ainda assim, os auscultadores fechados são por vezes uma necessidade, dado que permitem insonorizar o exterior do interior e vice-versa. Um bom design deverá usar a caixa fechada em sua vantagem e penso que a Meze acertou aqui em cheio. Os Meze 99 Classics não soam nada presos nem boxy. Apresentam-se imediatamente com um som divertido e excitante. Um grave profundo, articulado e viciante. Na faixa do Ed Sheeran – I See Fire, ouvi um grave que nem sabia que existia e uma dimensão/peso da música que a tornam afinal muito mais interessante do que eu imaginava. A voz é bem clara, definida e dinamica, por cima de um grave cavernoso e musical. Não creio que são auscultadores com demasiado grave a la Monster Beats. Estão na dose certa na minha opinião, apenas são muito mais profundos do que o habitual, sem as desvantagens que normalmente vêm acompanhadas com isso: som ‘encaixotado’ e pouco claro.

 

Eles aguentam-se quando se puxa pelo volume, sem se sentir compressão ou cansaço. Não acho justo apontarem-se defeitos a estes auscultadores, considerando o seu preço. Se fôr piquinhas diria que a gama média-grave é um ligeiramente mais baixa relativamente às restantes e que o cabo dos auscultadores é microfónico, ou seja, transmite som para os auscultadores quando batemos nele. Ninguém é perfeito…

Os Meze 99 beneficiam de bons DACs/amplificadores audiófilos (quem não beneficia?) mas mesmo com um telemóvel ou portátil conseguímos tirar partido deles.

Os Meze 99 Classics querem apresentar-se como os melhores auscultadores fechados do mercado, na sua gama de preços. Não posso discordar desta apresentação e são seguramente os melhores que já testei à volta dos 300€ (abertos ou fechados).

 

Especificações

Ear-cups: Madeira nogueira
Tipo de transdutor: Mylar controlado por iman de neodímio
Tamanho do transdutor:  40mm
Frequencia de resposta:: 15Hz – 25KHz
Sensibilidade: 103dB a1KHz, 1mW
Impedância: 32 Ohm
Potencia máxima admitida: 50mW
Cabo destacável em OFC com revestimento em Kevlar
Peso: 260g
PVP: 309€

 

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Gustavo Rosa

 

Review: Lusoscreen Darsktar Plano

Como prometido, e agora que as férias acabaram, aqui ficam as minhas impressões sobre o último desenvolvimento da ‘nossa’ Lusoscreen e em demonstração na VilaSound, Som & Imagem: o Darkstar plano.

Como habitual, aqui ficam as fotografias do ecrã com um pedaço de PVC com ganho 1.1 para comparação com o resto do ecrã. Comecei por fotografar com alguma luz ambiente (paredes escuras, de noite, apenas com um pequeno candeeiro ligado). Neste cenário, e em qualquer sala que não tenha paredes escuras, a luz ambiente é suficiente para comprometer drasticamente o contraste de uma tela branca normal. Como se pode ver, o quadrado de PVC exibe uma imagem muito esbatida em comparação com o Darkstar. Apanhei propositadamente a barra horizontal de cima que devia ser preta mas é amarelada, graças à lampada 2700K do candeeiro.  Dentro do quadrado, a imagem parece enevoada e também com alguma perda de definição.  Penso que aqui, tal como na versão curva revista aqui, as diferenças para melhor são inequívocas por parte do ecrã da Lusoscreen face a uma tela normal.

Luz ambiente com quadrado de PVC

 

As telas brancas tornam-se aceitáveis apenas na escuridão total, com paredes, chão e teto também escuros. Como se comparam os ecrãs Lusoscreen neste cenário? Na review anterior vimos que as diferenças deixam de ser tão notórias mas continuam a ser significativas. Na minha opinião, essa observação mantém-se também no ecrã plano.

 

Escuridão total sem quadrado de PVC

Escuridão total com quadrado de PVC

 

 

 

 

 

 

 

 

Torna-se mais difícil fotografar as diferenças de profunidade da cor preta nestas condições mas penso que são visíveis nas fotos (recomendo fazer o download de ambas ou abri-las em janelas diferentes para se compararem facilmente em tamanho grande). Neste filme (Mad Max: Fury Road  – 2015), todas as cores estão com contraste melhorado para nos encher os olhos de vivacidade. A cor da pele da Imperator Furiosa mostra-se mais carregada e profunda sem o quadrado de PVC que, subjetivamente, me parece mais real com aquilo que é suposto vermos. Existem também mais nuances visíveis sem o PVC, nomeadamente à volta do olho onde observo alguns tons roxeados e pretos da maquilhagem, enquanto que com o PVC as cores parece menos ricas e o preto mais esbatido.  Também na barra horizontal superior se observa a ausencia de um preto profundo que se vê em todo o resto do ecrã.

 

Conclusão

Eu adoro a versão curva, que ainda reside aqui na VilaSound, mas o ecrã plano apresenta poucas desvantagens e é muito mais acessível em termos de colocação e com menos restrições. A imagem é mais uniforme em termos de brilho e menos sensível ao local de visualização. Também permite, sem problemas, a colocação do projetor no teto, enquanto que as versões curvas obrigam à colocação do projetor perto das nossas cabeças ou de outra forma ocorre uma distorção na imagem (curvatura). Prefiro ligeiramente a profundidade e contraste da versão curva, com todas as reticencias que ela trás, mas a versão plana torna praticas e acessíveis todas as características que tanto gostamos nos ecrãs Lusoscreen. Bom trabalho família Candeias (equipa Lusoscreen)!

Mesmo para salas de cinema com luz controlada o ecrã Lusoscreen Darkstar plano representa um incremento de qualidade ao nível do contraste, profunidade das cores e definição superior ao que habitualmente se consegue com o upgrade do projetor para uma gama acima. Se considerarmos que tal upgrade custa normalmente milhares de euros, o Darkstar representa assim um excelente retorno de qualidade para o investimento em causa.

 

Ficha Técnica

Ecrã Lusoscreen Darkstar 100″ plano (PVP: 1200€)
Projetor JVC DLA-X30 (lampada com > 2700h)
Filmes/Imagens usadas: Mad Max: Fury Road – 2015

 

Gustavo Rosa

Nova Sala de Cinema com sistema 7.1.2 Dolby Atmos e novo ecrã Lusoscreen Darkstar plano

Remodelámos a nossa sala de cinema para melhorar a experiencia cinematográfica a nível de reprodução, acústica e estética. Instalámos papel de parede por cima de pladur preforado, um par de colunas in-wall, um par de colunas de teto e duas surround back.

O efeito surround fica assim a cargo das magníficas Monitor Audio CP-WT380IDC e das bem conhecidas Monitor Audio Slver S6. Já desde algum tempo que a Monitor Audio se especializou na produção das melhores colunas de embutir no mercado hifi. Desde as mais baratas Trimless 100 (~150€/un) até às Platinum In-Wall (3700€/un) a escolha é imensa.

As colunas de embutir apresentam diversas vantagens face às tradicionais colunas de caixa, especialmente em cinema. A mais óbvia é da menor ocupação de espaço e, tendo grelhas metálicas de baixo perfil que se podem pintar de qualquer cor, podem passar completamente despercebidas. Na foto, escolhemos exibir orgulhosamente a coluna e seus altifalantes. Outra vantagem muito importante é acústica. As colunas de caixa emitem som em 360º em seu redor, criando a necessidade de colocar absorção acústica para diminuir reflexões, especialmente quando se aumenta número de colunas (5.1, 7.1, 9.1)! Com as colunas de embutir a propagação de som é feita apenas em 180º, baixando drasticamente a necessidade de tratamento acústico.

As CP-WT380IDC são colunas de embutir de 3 vias com woofer de 8 polegadas, woofer de médios de 4 polegadas combinado num módulo com o tweeter C-CAM gold dome, num eixo giratório e orientável. A designação CP (Controlled Performance) signifca que a coluna é selada e não interage com a parede na qual está instalada. Também reduz a propragação de som pelas paredes. Permite ainda um ajuste de -3/0/+3 dB tanto na unidade de médios e como no tweeter. Com estas características, torna-se fácil combiná-las com as Silver S10 (frontais) e Silver S6 (traseiras) criando uma envolvencia que nos faz esquecer que temos colunas de som.

No tecto estão instaladas duas colunas Monitor Audio CT380-IDC, semelhantes às CP-WT380IDC mas abertas. A coluna é impressionante e pesada nas mãos mas discreta depois de instalada. Tem 3 vias, com woofer de 8 polegadas, woofer de médios de 4 polegadas combinado num módulo com o tweeter C-CAM gold dome, num eixo giratório e orientável. Devido ao facto de ser aberta e interagir por isso com a caixa de pladur do teto, estas colunas permitem maior extensão de grave e mais sensibilidade, maior envolvencia mas menos precisão do que as CP.

A acolitar as Monitor Audio temos o Yamaha RX-A3050 e ajuda-las o SVS SB16-ULTRA (!) A leitura fica a cargo do Oppo UDP-203.

Para completar as novidades temos também o mais recente desenvolvimento da ‘nossa’ Lusoscreen: o Darsktar plano. Um ecrã cinzento-escuro com ganho ~1.0 que permite cores profundas e negros impensáveis em telas normais, mesmo com alguma luz ambiente (review mais detalhada em breve). O projetor ainda é o ‘velhinho’ JVC DLA-X30 com lâmpada cansada (‘para quando um projetor 4K Gustavo?’ – Estou a tratar disso… vamos com calma)

O objetivo dos constantes upgrades que vamos fazendo é oferecer aos nosso clientes e curiosos uma experiencia única. Esperamos que nos visite para ficar com os cabelos em pé, dedos cravados no sofá ou pele de galinha (depende do filme).

 

Gustavo Rosa

Em demonstração: Manger P1

As Manger são pouco conhecidas no mercado portugues, mais habituado às revistas audiófilas escritas em ingles (inglesas ou americanas) e por vezes em frances. Passamos por isso ao lado de muitas ofertas do enorme e misterioso fabrico alemão.

A Manger Audio (lê-se ‘manguer’) desenvolveu o seu patentado transdutor Manger que consiste, muito resumidamente, num altifalante com rigidez variável, aumentando do centro para a extremidade, que permite reproduzir frequencias de 80Hz até 40KHz. Com um só altifalante, sem crossover no meio, consegue-se por isso reproduzir a maioria do espetro auditivo, sem descontinuidades no domínio temporal nem diferenças de timbre entre altifalantes diferentes (a maioria das colunas precisa de um tweeter feito de um material diferente dos restantes altifalantes, com características sónicas diferentes).

Todas as colunas Manger Audio são de duas vias, recorrendo apenas um woofer para as baixas frequencias e um simples crossover. O resultado é uma coluna particularmente boa ao nível da coerencia e precisão no domínio temporal. Em termos de interação com a sala, a Manger optou por caixas seladas, sem pórtico, desenhadas para estarem relativamente próximas da parede traseira (50-70cm). São por isso colunas mais ideais para ter em casa e não tanto para ter na sala de demonstrações da VilaSound, onde devido às suas dimensões, precisa de colocar as colunas bem longe da parede.

De facto, elas falhavam em energizar corretamente a sala, naquela posíção (1,20m da parede). Recuando as colunas para perto da parede traseira melhorava esse aspeto mas criava os habituais problemas comuns a todas as colunas nesta sala: severos cancelamentos e picos em modos ressonantes, e o palco espalmado.

 

No entanto, a VilaSound tem outra sala de demonstrações, habitualmente usada para o homecinema. Aqui, em geral, as colunas portam-se bem perto da parede e as Manger P1 não foram exceção. Apresentando-se completamente diferentes no contexto anterior, as P1 revelam os seus trunfos ao nível da integração das unidades. O facto de serem colunas de caixa selada significa que irão apelar aos audiófilos mais rigorosos ao nível da reprodução de graves e não tanto àqueles que procuram um pouco de “fogo de artifício” no seu som, com graves mais cavernosos e expansivos. De facto, procurando pelas passagens mais exigentes ao nível de frequencias baixas na minha coleção de música, as Manger P1 conseguiram um nível de articulação que nunca tinha ouvido, embora com um limite ao nível da extensão. Penso que em salas mais pequenas (25-40m2) eles poderão mostrar-se bem mais equilibradas nesse aspeto do que aqui.

Neste caso em particular, graças ao alucinante SVS SB16-ULTRA, podemos adicionar o “fogo de artifício” à descrição.

 

 

Especificações:

Coluna de chão 2 vias com crossover a 360Hz
Frequencia de resposta: 40Hz-40KHz
Sensibilidade: 89dB (1W/1m)
MAX SPL: 106dB em pico
Potencia recomendada: 50-200W
Impedancia nominal: 4ohm
Terminais WBT NextGen
Acabamentos mate com qualquer cor RAL ou lacados em alto brilho
Dimensões: 1139 x 270 x 214 mm (A x L x P)
Peso: 28kg/un
PVP: 8930€