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Mar 27 2017

Review: AVID DIVA II SP

A VilaSound, Som & Imagem orgulha-se de ter permanentemente em demonstração um giradiscos AVID DIVA II SP.

AVID DIVA II SP c/ Project 9CC e Benz Micro ACE SL

 

De todos os giradiscos do mercado, e a oferta é imensa, escolhemos os AVID por diversas razões.

Em primeiro lugar… porque tocam bem.

Em segundo lugar pela integridade na filosofia. A AVID desenvolveu durante muito tempo a sua filosofia para os seus designs e manteve os seus princípios ao longo dos seus 20 anos de existencia, fazendo melhoramentos ao longo dos anos. Todos os seus produtos são um trickle down da tecnologia topo de gama. Ou seja, depois do extenuante desenvolvimento do AVID Acutus, os restantes modelos foram desenvolvidos eliminando/modificando diversas partes do Acutus com o objetivo de baixar o custo, mantendo o design nuclear.

Subprato/Rolamento

Clamp

Em terceiro lugar pela tecnologia. O design técnico AVID tem como objetivo remover as vibrações do disco permitindo uma leitura ótima por parte da agulha. Usando uma analogia com o tiro ao alvo, por muito bom que seja o atirador (agulha), se ele estiver em cima de uma plataforma (giradiscos+braço) que esteja em constante oscilação irá ter dificuldade em acertar no alvo. Quanto maior for a oscilação ou vibração maior o erro. As vibrações são produzidas pelos motores dos giradiscos, pelo funcionamento dos equipamentos, transmitidas pelo móvel e pelos altifalantes das colunas fazendo vibrar toda a casa e por sua vez também o giradiscos.

Uma das abordagens para remoção de vibração é de aumento de massa do giradiscos e do prato mas isso por si só não resolve o problema pois durante a reprodução de música facilmente detetamos a vibração em paredes estruturais do prédio, que têm uma massa superior à de qualquer giradiscos (em várias ordens de grandeza).

A AVID assume que é impossível isolar o prato e o disco de vibrações e dedicam-se a remove-las em vez de apenas isolar. Os giradiscos seguem o princípio que as vibrações serão canalizadas das superfícies menos rígidas para as mais rígidas. Para isso acopulam de forma eficiente o disco a componentes rígidos que por sua vez estão acopulados a componentes que absorvem vibração, convertendo em calor ou em movimento oscilatório vertical de baixa frequencia. Tudo começa no clamp de alta qualidade, pesando quase 1kg, tem uma rosca em alumínio maquinado que prende o disco ao suporte de latão do rolamento (bearing), que é ao mesmo tempo o sub-prato. O tapete em cortiça+borracha funciona como um desamparalhemento mecanico criando um “ponto-terra” para conduzir as vibrações para o clamp+rolamento. Sem um clamp, não há um dispositivo que impeça a vibração do disco mesmo pousado num prato completamente inerte.

O rolamento (subprato) é acoplado à pressão no prato de alumínio maciço (6.3kg). O rolamento encaixa na perfeição no prato, sem qualquer folga, vendo-se bem a qualidade da maquinação CNC.

Interior da suspensão

No interior do suprato encontra-se uma safira que pousa sobre uma esfera de tungsténio no veio do chassis. A esfera impede que o prato adopte um movimento elíptico quando puxado pela correia. Assim, o movimento é sempre completamente circular acentando o prato num ponto tangencial, de baixo atrito.

O chassis é contruído em alumínio de densidade variável, com rigidez exceptional, tendo o mesmo objetivo de canalizar vibrações para longe do disco. O chassis assenta tres pontos que, no caso do DIVA II SP, o amortecimento está a cargo de bases largas de um elastómero em 3 camadas feito com soborbotano de alta qualidade.

Muitas empresas adoptam os motores de baixo binário assíncrono com a voltagem da rede elétrica. Aqui a abordagem é diferente. O motor de 24V é síncrono com a corrente alternada e tem um binário excecionalmente alto. Em conjunto com a fonte de alimentação DSP (Digital Signal Processor) o prato roda a uma velocidade de rotação constante – fator extremamente importante por vezes ignorado. O motor é tão forte que o prato atinge a velocidade ótima antes de terminar a primeira rotação.

 

 

 

 

 

O motor está fisicamente separado do chassis, impedindo qualquer transmissão de vibração, e faz rodar o prato através de duas correias.

 

A qualidade da maquinação CNC do pesado prato em alumínio maciço. As linhas exteriores e cone interior para encaixe no rolamento não apresentam qualquer defeito.

Em quarto lugar pela qualidade de construção. A AVID produz tudo in house com acesso à tecnologia mais sofisticada (e cara). Os componentes principais são construídos com materiais de alta qualidade como e alumínio aerospace-grade, com recurso a maquinação CNC.

A qualidade de construção, ao inspecionar minuciosamente cada componente, é irrepreensível. A AVID chega a realizar trabalhos de engenharia/maquinação para outras empresas, não relacionadas com o audio.

 

 

 

 

 

 

 

O SOM

O AVID DIVA II SP pertence às linhas mais acessíveis da AVID mas apresenta uma relação qualidade-preço excelente graças à adopção de toda a tecnologia proviniente do desenvolvimento do Acutus. Enquanto a agulha toca no disco sentimos como que uma pressão convulsiva de bater o pé ou abanar a cabeça – alguma parte do corpo – de forma a acompanhar a música.  Em One More Coffee de Bob Dylan, album Desire, mesmo com o seus ritmos desconcertados e vozes desconcertantes não conseguímos evitar de bater o pé ao som da bateria e baixo. A meio do School de Supertramp, album Crime of The Century, antes do crescendo, sentimos toda a antecipação, suspense e ritmo, mesmo sem instrumentos praticamente a tocar.

Braço Pro-Ject 9CC c/ Micro Benz ACE S

Graças à estabilidade da leitura, a excelente Micro Benz ACE S consegue extrair uma quantidade de informação que nos inunda, desde as vozes (várias) das crianças em School, lá ao fundo, nítidas, como toda a banda em full crescendo com volume bem alto sem qualquer saturação nem colapso de palco. O aumento de volume não parece ter nunca um impacto negativo na reprodução, mesmo com um grave que faz abanar o sofá.

Com este conjunto não temos um som “do vinil” que muitas vezes se associa ao vinilo. Temos sim uma reprodução das gravações analógicas como elas merecem: vivas, dinamicas, musicalmente viciantes e com um palco amplo com os instrumentos e vozes bem localizadas e separadas. Desde que vindas de um master analógico, o sistema devolve a vida ao artistas mesmo que a gravação não seja audiófila ou tenha sido produzida de forma rudimentar (alguns discos mais recentes são prensados usando uma conversão de um master digital – não é a mesma coisa).

 

ESPECIFICAÇÕES

Drive: Dupla correia com velocidade ajustável (33.3 e 45rpm)
Prato: Alumínio maciço com tapete em borracha/cortiça (6.3kg)
Subprato: Aço inoxidável com fixação para o clamp em latão e safira para contacto com o veio
Veio: Aço inoxidável
Ponto de contacto: Safira em rotação sobre esfera em tungsténio
Suspensão: 3 pontos com 3 camadas de elastómero
Motor: 24v 12mNm AC-síncrono
Fonte de alimentação: Analógica com controlo de velocidade DSP
Braço: Pro-ject 9CC (vem preparado em série para SME mas adaptado para qualquer braço)
Célula: Benz Micro ACE SL

PVP do conjunto: 4900€

 

 

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